São cartazes que primam pela simplecidade e criatividade. Destaque para o cult-sessão-da-tarde; O Corcel Negro e para THX 1138. O primeiro foi produzido em 1979 (vocês acreditam!) e tornou-se um clássico juvenil por exelência, apesar de não ter nenhum diálogo por quase uma hora e possuir uma estrutura por vezes arrastada. É uma emocionante estória de superação e possivelmente deve ter contribuido para que muitos garotos sairem de casa e enfrentassem seus medos e frustações. Já o segundo, para quem não sabe, foi o primeiro filme dirigido por George Lucas, que posteriormente faria as duas trilogias de Guerra nas estrelas. A obra também prima por poucos diálogos e é bem pessimista em relação ao futuro da humanidade. Possui uma cenagrafia que por se só nos parecer ser um personagem. É um filme difícil por ser, de certa forma, introspectivo, talvez por isso, singular dentre as superproduções hollywoodianas.
Pai e Filho – A peça é uma dramatização de algumas cartas do escritor Franz Kafka endereçada ao seu pai. Simples assim. Não vou negar que fui assisti-la com certo receio,quando, a algumas semanas atrás (mais especificamente, na V Semana de Teatro do Maranhão), apreciei algumas peças locais que primaram pelo experimentalismo. Nada muito pós-realista, ou eram?
- Espero que não coloquem o Kafka dentro de uma redoma de vidro que encherá de água enquanto o mesmo não perdoar ao pai pela indiferença e pelos maus-tratos dados à mãe; pensei, enquanto sentava na última fileira de cadeiras que estavam em uma posição estratégica para que todos os cem convidados vissem toda a ação.
Não foi o que eu esperava. Com uma entrada “triunfal”, fui apresentado a uma relação pai-e-filhotão comume castra quanto muitas que observamos por aí. Entretanto, esta relação tinha como um dos integrantes, aquele que é considerados um dos escritores contemporâneos mais originais e criativos da literatura mundial. Seu pai, mesmo que homem bruto, não poderia ser um homem bruto qualquer. Estávamos diante de um homem rude, mas quenão deixavafaltar nada ao seu sonhador filho, talvez, apenas atenção. E é isso que eu sentir sera grandedecepção do filho. O conflito se faz com diálogos curtos, frases curtas, palavrasque ferem. Por alguns minutos ( muitos, falando sinceramente!) agradece a Deus por não ter corrido esse risco, quando só vim a conhecer o meu quando adolescente.
Foi um espetáculo pequeno, ao que se refere a duração, e com uma cenografia cuidadosa e interpretações memoráveis. O Cláudio Marconcine (sei o nome dos atores pelo oportuno e elucidativo informativo entregue na entrada) faz um pai que oscila entre a fúria e a afeição,que ama seu filho mas não sabe como revelar-se um amigo. Poucas vezes, durante a própria execução do ato cênico, me pequei pensando no quanto o ator se doa para compor uma personagem. Por vezes, a rigidez física do pai era tanta que eu sentiaas minhas pernas rígidas como se toda aquela tensão estivesse a me contaminar. Voz, postura, nenhuma palavras a menos, nenhum gesto a mais, o cara ganhou um fã. Quanto ao ator que interpreta o filho (Marcelo Fecha), no inicio pensei que ele não fosseadequado para o papel. Imaginava um Kafka mais jovem, até adolescente. Mas no desenvolver da peça, ficamos sabendo que o mesmo já deveria ter se desvinculado da família à muito tempo. Não eraum garoto, era um homem desejoso, mas temeroso. A partir daí, vi qulidades na interpretação do Marcelo e como o papel lhe caía bem, pelo tipo meio franzino, pela voz um pouca nazalenta e semblante triste, pelo corpo aparentementerelaxado, mas com os ombros tensos,. Não, não eram características do ator, era, como possivelmente falam no teatro; “um belo trabalho de composição de personagem”.
Esperando Godot - a peça foi baseada na obra homônima de Samuel Beckett. Logo na entrada, distribuíram folhas secas pelo corredor que levava aos assentos, um pouco de fumaça artificial e uma música que completava o clima de mistério. Ao voltar do banheiro, Rodrigo criticou o comentário de umrapaz que estava sentadoatrás de nós e que é também ator(destes que fazem versões apimentadas de estórias infantis). Disse o mesmo; - Fumaça artificialé tão univertário ! – Rimos do despeito.
Gostei da peça. Mas faltou alguma coisa pra mim. Faltou informação. Sou leigo como apreciador das artes cênicas, mas sou ciente que nem tudoque nos é apresentado pode ser ‘degustado”num primeiro contato. Algumas obras literárias não se entregam ao leitor de imediato, precisam ser lidas e relidas, por vezes até decifradas. Imagino que algumas peças teatrais também precisam de tal entrega do observador. Deveria ter lido um comentador antes.
Não culpei os atores por não ter entendido algumas questõeslevantadas por Beckett, apesar de achar que poderiam ter colocado mais informações no folhetode divulgação. Neste caso, o próprio folheto responde aminha sugestão, quando escolheram como epígrafe a frase “Não percamos tempo com palavras vazias” doBerckett.
Sendo assim, descrevo o que apreendi. A questão da dominação, que mesmo quando desdenhada pelos humildes, torna-se uma alternativa positiva se o inverso (a (re)conscientização da condução de submissão) atingir contrariamente as intenções e pretensões destes mesmos miseráveis. A questão do tempo, a meu ver, um tempo bergsoniano (do filósofo francês Henri Bergson), no qual cada indivíduoconstrói seu tempo e espaço de consciência, dependendo, neste caso, de alguns fatores externos e internos (psique). A espera do “algo melhor” da “boa-nova’ e o não aproveitar do agora para se construir o“por ir”.Tudo muito bem metaforizado e bem interpretado.
Não sei de foi intenção dos atores (dos dois protagonistas), mas os personagens receberam uma pintura “caipiresca”, e sabem, imagino que isso aproximou mais o público com o texto. Também não notei improvisação nesta peça, algo que precisa ser também elogiada, sendo que, seria muito fácil os mesmos criarem uma adaptação,resumiro texto ou utilizaroutros materiais cênicos (emais contemporâneos) para passar certas mensagens. Foram decisões artísticas elogiosas e nada acadêmicas.
Algo inusitado aconteceu na primeira sessão do primeiro dia de exibição do filme sobre a vida do médium Chico Xavier na minha cidade. Ninguém conseguiu sair até os últimos minutos dos letreiros finais. Isto porque, simultaneamente estava sendo mostrado, em uma tela menor, o próprio Chico respondendo algumas perguntas no programa Pinga Fogo, programa este, na qual se desenvolve o enredo do filme. Ao sair, notei quealguns espectadores estavam ou sorrindo, ou com lágrimas nos olhos e outros tentando disfarçaas duas coisas. Eu me encontrava neste último grupo.
Um turbilhão de sentimentos invadiu a minha alma; alegria, admiração, orgulho, tristeza e fraternidade. Será difícil esquecer tal sensação. Nesta perspectiva, também será complicado tentar fazer criticas ao filme,cometer justiças ou injustiças. O certo é que, a história do mineiro Chico Xavieré tãocheia de (e aí vai outro turbilhão de adjetivos!) dedicação para com o próximo, deensinamentos, superações e desapego material que imagino que poucos roteirista teriam a capacidade criativa de inventar talhistória.
Penso que em uma coisa todos vão concordar, o filme proporcionauma bela homenagemao maiormédium brasileiro. Uma figura amada pelo povo brasileiro e que profeticamente anunciou que desencarnaria num dia em que todos os brasileiros estivessem felizes. Chico Xavier desencarnou no dia 30 de junho de 2002, dia em que o Brasil sagrou-se pentacampeão mundial de futebol. Imagino que esta obra fílmica fará com que muitos brasileiros tenham aoportunidade dechorar por uma perda tão grande, mas um choro de orgulhoe esperança de um reencontro.